Design e Arquitetura

Mulheres que transformaram o jeito de construir o Brasil

14 de outubro de 2026
Tempo de leitura: 4 MIN
Mulheres que transformaram o jeito de construir o Brasil

Resumo

Lina Bo Bardi, Lota de Macedo Soares, Rosa Kliass e outras mulheres que marcaram a arquitetura no Brasil.

Muitos dos espaços mais queridos das cidades brasileiras têm por trás o olhar de uma mulher. O vão livre do MASP, os jardins do Aterro do Flamengo, a reurbanização do Vale do Anhangabaú: obras que fazem parte da memória de milhões de pessoas e que nasceram do trabalho de arquitetas, urbanistas, paisagistas e artistas.

Em uma área que por muito tempo foi dominada por homens, essas mulheres abriram caminho e mudaram a forma de pensar a casa, a rua e a cidade. Reunimos algumas delas, cujas obras seguem vivas no dia a dia de quem circula pelo Brasil.

Lina Bo Bardi

Nascida em Roma e naturalizada brasileira, Lina Bo Bardi é uma das mais importantes arquitetas modernistas do país. Seus projetos combinam sensibilidade social e profundo interesse pela cultura popular.

Entre suas obras mais conhecidas estão o Museu de Arte de São Paulo (MASP), com seu vão livre que virou um dos marcos da Avenida Paulista, e o Sesc Pompeia, que transformou uma antiga fábrica em um dos centros culturais mais vivos de São Paulo.

Carmen Velasco Portinho

Engenheira civil e gestora pública, Carmen Portinho teve papel decisivo no urbanismo brasileiro. Ela foi a primeira mulher a receber o título de urbanista no país, em uma época em que poucas mulheres sequer frequentavam cursos de engenharia.

Carmen participou da concepção do Conjunto Residencial Pedregulho, no Rio de Janeiro, projeto que integrou habitação, educação e lazer em um mesmo espaço. A ideia de que um conjunto habitacional deve oferecer mais do que moradia continua atualíssima.

Tomie Ohtake

Artista plástica nascida no Japão e radicada no Brasil, Tomie Ohtake levou suas esculturas e intervenções para o cotidiano das cidades. Suas obras públicas fazem parte da paisagem de São Paulo, como os painéis da Estação Consolação do metrô, a escultura na Avenida Paulista e as ondas de concreto do Monumento à Imigração Japonesa, na Avenida 23 de Maio.

A presença de Tomie também chega ao interior. Há obras da artista no Theatro Pedro II, em Ribeirão Preto, e em Uberlândia, cidades onde a Perplan Incorporação tem empreendimentos.

Rosa Kliass

Paisagista e urbanista, Rosa Kliass ajudou a consolidar o paisagismo como prática profissional no Brasil. Seu trabalho mostrou que áreas verdes e espaços públicos são parte essencial do planejamento urbano, e não apenas decoração.

Ela assina projetos presentes em parques e espaços públicos de diversas cidades, como a reurbanização do Vale do Anhangabaú e o Parque da Juventude, ambos em São Paulo.

Lota de Macedo Soares

Sem formação acadêmica em arquitetura, Lota de Macedo Soares construiu uma trajetória reconhecida na arquitetura e no paisagismo. Foi uma das principais responsáveis pelo Parque do Flamengo, no Rio de Janeiro.

O projeto transformou a paisagem urbana ao integrar natureza e cidade em uma extensa área às margens da Baía de Guanabara. Mais de meio século depois, o Aterro continua sendo um dos espaços de lazer mais usados pelos cariocas.

Mayumi Souza Lima

Arquiteta e professora, Mayumi Souza Lima dedicou sua carreira a projetos voltados à educação e à infância, especialmente escolas e centros educacionais em São Paulo.

Em seus trabalhos, ela integrou arquitetura, pedagogia e espaço urbano. O resultado foram ambientes pensados para estimular a convivência, a autonomia e o aprendizado das crianças, uma visão que segue influenciando o projeto de escolas no país.

Raquel Rolnik

Urbanista, pesquisadora e professora da FAU-USP, Raquel Rolnik é uma das principais vozes do debate sobre políticas públicas e direito à moradia no Brasil.

Ela levou essa discussão ao cenário internacional como secretária nacional de Programas Urbanos do Ministério das Cidades e como relatora especial da ONU para o direito à moradia adequada.

Um legado que continua

Cada uma dessas mulheres deixou uma marca diferente: na arquitetura, no paisagismo, na arte urbana, na educação e nas políticas públicas. Em comum, todas mostraram que construir bem é pensar nas pessoas que vão viver os espaços.

Hoje, cada vez mais mulheres assinam projetos, comandam obras e pensam o futuro das cidades. Conhecer quem abriu esse caminho é também uma forma de valorizar quem segue construindo o Brasil.

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