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Cidades flutuantes: o futuro do morar sobre a água

17 de outubro de 2026
Tempo de leitura: 4 MIN
Cidades flutuantes: o futuro do morar sobre a água

Resumo

Da Coreia do Sul às Maldivas e à Holanda: conheça os projetos de cidades flutuantes que respondem à alta do nível do mar e repensam a arquitetura.

Bairros que sobem e descem com a maré já existem, e alguns países apostam neles como resposta ao avanço do mar.

Morar sobre a água parece coisa de ficção científica, mas a ideia é bem mais antiga e concreta do que parece. Povos tradicionais vivem há séculos em casas e ilhas flutuantes, e hoje arquitetos e governos retomam esse conceito com tecnologia de ponta.

O motivo é urgente: com a elevação do nível do mar, cidades costeiras e países insulares buscam novas formas de ocupar o território. Em vez de lutar contra a água, a proposta é aprender a conviver com ela. Alguns projetos ainda estão no papel, enquanto outros já têm moradores.

Uma ideia antiga com nova roupagem

No lago Titicaca, no Peru, o povo Uros constrói há gerações ilhas flutuantes feitas de totora, uma planta aquática da região. No Brasil, os flutuantes da Amazônia, casas e comércios sobre toras de madeira, acompanham a cheia e a vazante dos rios há muito tempo.

A diferença é que, agora, o conceito ganha escala urbana. Plataformas modulares, energia renovável e sistemas fechados de água e resíduos transformam a casa flutuante em bairro e, em alguns casos, em cidade.

Oceanix Busan, o protótipo da ONU

Créditos: OCEANIX/BIG-Bjarke Ingels Group

Na Coreia do Sul, a cidade de Busan firmou em 2021 uma parceria com o UN-Habitat, programa das Nações Unidas para assentamentos humanos, e a empresa Oceanix para desenvolver o primeiro protótipo de cidade flutuante sustentável do mundo. O desenho conceitual da Oceanix City é do escritório dinamarquês BIG, de Bjarke Ingels.

O projeto prevê três plataformas interligadas, com cerca de 6 hectares, dedicadas a moradia, hospedagem e pesquisa, para uma comunidade inicial de 12 mil pessoas. A proposta é que o sistema possa crescer de forma modular, adicionando novas plataformas conforme a demanda. O cronograma divulgado inicialmente já passou por revisões, e o projeto segue em desenvolvimento.

Maldives Floating City, a resposta de um país insular

As Maldivas estão entre os países mais ameaçados pela elevação do mar, já que boa parte do território fica pouco acima do nível da água. A resposta foi a Maldives Floating City, parceria entre o governo local e a incorporadora holandesa Dutch Docklands, com projeto do escritório Waterstudio.

A cidade, a cerca de 10 minutos de barco da capital, Malé, foi pensada para abrigar cerca de 20 mil moradores em estruturas que sobem e descem com o oceano. A abertura está prevista para 2027, segundo as informações divulgadas pelos responsáveis.

Schoonschip, o bairro flutuante que já existe

Enquanto as grandes cidades flutuantes amadurecem, Amsterdã já tem um exemplo em funcionamento. O Schoonschip, concluído em 2021 depois de mais de uma década de desenvolvimento, reúne 46 casas distribuídas em 30 lotes sobre a água.

O bairro é referência em sustentabilidade: os moradores têm painéis solares conectados a uma rede inteligente e podem trocar energia entre si. Trocadores de calor submersos ajudam a aquecer e resfriar as casas. É a prova de que morar sobre a água pode ser confortável, eficiente e comunitário.

Floating Office Rotterdam, trabalho sobre o rio

A Holanda, país com boa parte do território abaixo do nível do mar, também levou o conceito para o mundo corporativo. Inaugurado em 2021 no porto de Roterdã, o Floating Office Rotterdam foi projetado pelo escritório Powerhouse Company e abriga a sede do Global Center on Adaptation, organização dedicada à adaptação climática.

O edifício tem estrutura em madeira laminada cruzada, fundação flutuante de concreto, cobertura com painéis solares e usa a água do porto no sistema de refrigeração. Um escritório que flutua para falar de adaptação climática é uma mensagem e tanto.

Os desafios de viver sobre a água

Apesar do entusiasmo, as cidades flutuantes ainda enfrentam obstáculos importantes. Custos elevados, resistência a tempestades, impacto no ecossistema marinho, regulamentação e acesso a serviços básicos estão entre as questões em debate.

Há também a questão da escala. Projetos para milhares de pessoas ajudam a testar soluções, mas não substituem o planejamento das cidades em terra firme, onde vive a maior parte da população. O maior legado dessas iniciativas pode estar nas tecnologias que elas desenvolvem, e não apenas nos endereços sobre a água.

O que as cidades flutuantes ensinam

Mesmo para quem nunca vai morar sobre a água, esses projetos trazem lições valiosas: geração própria de energia, reaproveitamento de água, construção modular e uma relação mais respeitosa com a natureza. São ideias que já influenciam a arquitetura em terra firme.


Fontes

• Busan, UN-Habitat e OCEANIX assinam memorando para cidade flutuante (Prefeitura de Busan)

• South Korea's Oceanix Busan: all we know about world's first floating city (Newsweek)

• Maldives Floating City (Wikipedia)

• Maldives Floating City (Waterstudio)

• Schoonschip (Space&Matter)

• Floating Office Rotterdam (RIBA Journal)

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